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Foi ao ver o Daily Show com o John Stewart que me apercebi que o ataque estúpido aos professores feito no nosso país, não é exclusividade nossa.
É uma coisa incrível. Uma classe que devia ser louvada e acarinhada, é alvo de um ataque inexplicável por parte da sociedade. Quando uma coisa destas não tem explicação, há sempre a teoria da inveja.
Meu deus, estas são as pessoas que estão a ajudar a formar os nossos filhos! É uma coisa impagável. Quase apetece beijar o chão que pisam. Tenho a maior reverência pelos professores e educadores de Infância. Muito mais que por médicos. O problema dos professores também é o da lei da oferta e da procura.
- Olha, se não quiseres dar aulas, temos aqui 10 que dão o cú pelo teu lugar.
Nas agências de rating, os professores são lixo.
Houvesse tantos professores como médicos, e eles eram tratados com entidades da realeza.
A minha mulher chegou a visitar um colégio privado em que não havia contínuos. Havia uma explicação altamente pedagógica para isso que era um portento de lógica. O que acabava por acontecer era que os professores faziam também o trabalho de continuo. Até iam esperar os alunos numa via pública para os trazer para a escola secundária.
Os professores tinham que trabalhar as 40 horas semanais na escola (sim, porque não são mais que os outros trabalhadores). E preparar as aulas? Ò meu amigo, amanha-te, prepara-as em casa, no comboio, problema teu.
Não é sequer legal pedir a um trabalhador para fazer trabalho que não é da sua competência. Chegamos a este insulto de pedir a um professor para fazer trabalho de continuo.
O que está acontecer nos EUA? Os profs estão a ser culpados da crise. Trabalham poucas horas e ganham muito. Querem reduzir os seus salários, que são incomensuráveis para aquilo que produzem. Mais a mais, tomar conta de crianças, qualquer um pode fazer, desde que tenha 2 olhos.
Em 2002, vi um colega meu a cascar na mulher, à minha frente, que era professora no secundário. Só trabalham 25 horas por semana, têm uma rica vida.
Pois, só posso explicar isto por inveja. Ai quem me dera trabalhar só 25 horas por semana durante 8 meses por ano. Os Setores, no fundo, são aqueles adolescentes que nunca deixaram a escola. Continuam a andar na escola, a ter férias grandes, férias da Páscoa, do Natal, e a ter a tarde toda livre. É um Forever Young.
Mas esta gente faz ideia do que é dar aulas? Eu não conseguia. Eu não conseguiria dar 5 horas de aula, seguidas, a aturar 20 putos que fossem mais ou menos bem comportados. Bem, mesmo que fossem bem comportados, tenho as minhas grandes dúvidas.
Quando me disseram que uma das profissões que gera mais problemas psiquiátricos é o de professor, eu acreditei logo. Quando os professores protestavam pela idade da reforma aumentar, argumentando que é uma profissão de risco, eu concordei.
Houve colegas meus de curso que seguiram a carreira de professor. Eu nem sequer coloquei essa hipótese. Tenho terror. Já custa educar os nossos.
Comparar o trabalho de um professor com o de um trabalhador normal da lei geral do trabalho, com as suas 40 horas semanais, é um absurdo.
Mas… vamos supor que os professores só trabalham as horas em que dão aulas. Vamos supor que não preparam aulas, não atendem pais, não vão a reuniões, nada! Não fazem mais nada. Trabalham das 8:30 às 13:30 e depois têm o dia todo para si.
Um professor secundário com 10 anos de carreira, ganha cerca de 1400 euros limpos. Ao ano isto faz 19600 euros. Vamos supor que tem todas as férias da escola, trabalhando apenas 36 semanas por ano. Ou seja, trabalha 8 meses e meio por ano, passa 3 meses e meio nas Caraíbas. Isto significa que trabalha 900 horas por ano.
Feitas as contas, o nosso professor ganha 22 euros por hora.
Quanto pagam aos explicadores dos vossos filhos?
Vocês acham muito ganhar 22 euros por ensinar 20, durante uma hora?
E já agora, queria-vos ver a vocês. Sim, porque até é bem um trabalho que se pode fazer com uma perna às costas.