. Depende
A moda apareceu há pelo menos 4 anos. Não imaginava era que fosse durar tanto tempo. Lembrei-me disto ao ver o novo video do Psy "Gentleman".
Trata-se daquelas calças que parecem que o portador tem um cagalhão ali dependurado entre as pernas. Aquela folga das calças chega a ir quase aos joelhos.
Se a acena é feia e ultrapassa o ridiculo, fica a minha questão: Elas, ao menos, são confortáveis e funcionais? Se a policia aparecer dá para o portador do cagalhão desatar a correr na boa? Ou o cagalhão começa a saltar entre o fundo do pano e o rabo?
Houve uma moda deveras irritante de pessoas que insistiam em dizer sempre “não” ou, no melhor dos casos “depende”, ainda nós não haviamos terminado o nosso raciocionio. As pessoas não e depende, tinham ainda outros terjeitos pedantes como o gosto pelo rigor. Tudo tinha que ser dito com o máximo rigor, senão éramos logo corrigidos com o sorriso trocista do sábio mor.
Pensei que eu era o único gajo atento a estas manias, até que vi o sketch hilariante dos Gato Fedorento em “Pessoas irritantes que começam todas as frases com não”.
Há 10 anos atrás, eu e o David apanhavamos estas manias e parodiavamos com elas. Meia volta, quando um de nós falavamos com o outro, começavamos a imitar estes amigos da verdade. Respondiamos não ou depende, e inventavamos uns argumentos patéticos.
- Que horas são?... Ah, são 4 menos 10.
- Não... Depende. Se fôr hora de Madrid, Banguecoque, Cidade do México....
Tinhamos um amigo que era o intelectual máximo do não. Era um tipo castiço, o maior alvo dos nossos sketches. Certa vez alguém estava a ler a biblia na parte do Armagedão. E quando lia:
- ... Os 4 cavaleiros do apócalipse...
- Os 7.
- Os 4.
- Os 7.
- Fosca-se, está aqui escrito, os 4.
- Os 7.
Não valia a pena, era mesmo demais.
Já andava eu tão farto destas “pedantices”, que certa vez, ao saber que um colega meu ía pintar a sua sala, lhe perguntei, numa mesa de 4 pessoas:
- Não digas depende. Quanto fica pintar uma sala?
O gajo respeitou o meu pedido encarecido e explicou-me o custo de pintar uma sala. Mas não é que, nessa mesa de pessoas, tinha que haver um gajo que logo se encarregou de estragar tudo, rematando a explicação dele:
- E depois depende.
- E depois depende.
Eu tinha expressamente pedido. Se calhar o outro gajo não ouviu.
Se um amigo meu me perguntar quanto custa um apartamento ou um computador, eu digo-lhe 1 valor ou 3. Sei em que franja ele ou nós estamos interessados. Poupo-lhe tempo, poupo-lhe a verborreia, e não conheço tão fundo o mercado para lhe dizer: depende.
Quer dizer... no fundo tudo depende, eu até aposto que consigo começar qualquer resposta a uma pergunta que me façam, com depende, nem que seja:
- Qual é o teu sexo?