. Palpites
Hoje ao ver o "Aqui Portugal" reparei numa cantora no palco cuja imagem reflectia numa espécie de écran. Depois, vi de outro ângulo e eram duas cantoras. Depois fez-se luz! Ao ver o nome do grupo "Almas Gémeas" reparei que elas quase de certeza eram gémeas. É que a mim as loiras parecem-me todas iguais. Tal como referiu a minha mulher, o grupo deveria se chamar mais "Corpos Gémeos".
Abro um espaço para prestar um tributo à minha alma gémea que me dá muita ideias para este blog.
Arranjar um nome para o grupo foi um golpe simples e genial: eram gémeas, eram mulheres pimbo-romãnticas, logo...
No outro dia lia no Correio da Manhã que certa bozoana, actriz jovem Portuguesa, gostava de homens misteriosos, daqueles que revelam pouco e de quem apetece saber mais sobre. Ora, minha, conheço o gajo ideal para ti. Um colega meu que é divorciado e vive sozinho. Se por um lado faz questão de vincar sempre que pode que não tem tv em casa, por outro lado não revela ter muita cultura geral. Já reparei mais que uma vez que quando comecei a repetir clichés ele acenava com a cabeça a concordar com todos eles.
É um grande mistério para mim: Como é que este gajo ocupa o seu tempo? Não vê televisão, não sabe o que é uma IPSS ou um orçamento participativo, acha que uma pessoa pode ser aumentada e começar a ganhar menos, acha que com o divórcio não se perdem os laços de afinidade, tem a certeza absoluta que em Inglaterra chove muito, não sai à noite, mora sózinho, não me parece gostar de ler... com a breca, o que é que este gajo faz !!!!!
Conversa social com o homem do banco, enquanto nos atendia. Um senhor que deve ter os seus 60 e poucos anos. Ele cotnava que embora tenha casado com vinte e poucos anos, nunca teve filhos porque... segundo ele, a mulher não podia. Sugerimos que poderia ter enveredado pela adopção. Ele responde que não, porque o rapaz teria que ser preto ou chinês, não fosse o pessoal pensar que a mulher lhe tinha posto os cornos. Xau! Nunca tinha ouvido esta. Dá um nó no cerebro.
Filha - Mamã, o mano disse uma asneira.
Filho - não, não, rabo não é asneira. Rabo é o nosso rabinho.
Será queda para a advocacia?
Comecei a tomar café num café mais longe de casa, cerca de 1km. É um café mais agradável e faz-me andar mais um bocado.
Hoje conversei com o meu velhinho favorito do café, um que apetecia adoptar para avô. Pronto, e lá me contou a história da vida dele. Um self-made man cuja principal qualidade que o fez vencer na vida foi gostar de trabalhar. Gostava tanto de trabalhar que se oferecia a trabalhar em qualquer coisa, embora tivesse as suas competências especificas. Gostava de variar de trabalho na mesma empresa. Achava que um trabalhador devia passar por todos os postos de trabalho na empresa e dava-lhe a volta ao estômago ver trabalhadores parados porque a máquina estava avariada. Achava que, como a máquina estava avariada, em vez de esperar pelo reparador, deviam meter-se a fazer outra coisa. Começou a trabalhar no final dos anos 50, entrou para o serviço da tropa com 20 anos (eram 2 anos) e disse-me a idade do filho.
A certa altura, questionou-me:
- O senhor sabe que idade eu tenho?
Eu já tinha o meu palpite, era o do ano do nascimento.
- O sr nasceu em 1935.
Ele parou um bocado e respondeu a olhar para o ar:
- Eu nasci em mil nove trinta e cinco.
Se fosse da nossa geração teria respondido:
- Não, eu nasci no ano 35 do século passado.
Quando começou a falar do 25 de Abril fiquei confuso e... vulgaridade, lembrei-me do Herman José a fazer de Baptista Bastos. Ele começou a falar dum sitio e eu não estava a perceber que sitio era esse.
- O sr estava aonde? No dia 25 de Abril, estava aonde, em casa ou no trabalho?
Ele ficou um bocado parado, e não pude evitar de fazer a piada:
- Ou era feriado? (ri-me).
- Não, Dantes ainda não havia nada, o 25 de Abril começou aí.
Quando nos despedimos achei fabuloso ele dizer-me a morada exacta dele. We'll meet again.